quarta-feira, janeiro 04, 2006

Cáceres Monteiro

Por:Isabel Faria

Recordo o Sete. Recordo O Jornal. Cresci com o Jornal e deliciei-me com o Sete. Naqueles anos longincuos dos finais de Setenta e inicios de oitenta, devo ter muitas vezes discordado do que lá lia, mas precisava deles. E as coisas de que precisamos não se discutem. Raramente vale a pena perder tempo com isso. Cada Quarta e cada Quinta Feira, dirigia-me à banca dos jornais. Nada a fazer.
Depois apareceu a Visão e continuei a ser cliente mais ou menos fiel. Ultimamente muitas vezes me zanguei com a revista. Cheguei a anunciar um divórcio litigioso, mas mantivemos sempre uma relação complicada. Daqueles divórcios em que até se pode mudar de casa mas se guarda sempre a escova dos dentes na casa anterior, não se vá dar o caso de ser necessária, sem se esperar.
No Sete, no Jornal ou na Visão, sempre me habituei a ver o Cáceres Monteiro.Se me perguntarem por qualquer deles e me pedirem um nome, virá sempre o de Cáceres Monteiro. Antes de qualquer outro. Sem ter tempo de pensar em qualquer outro.
Porque as coisas que nos fazem não morrem antes de nós, não suportariamos se assim fosse, o Sete não morreu, o Jornal continua todas as Quintas Feiras, numa qualquer banca de jornais e Cáceres Monteiro não desapareceu esta madrugada. E estas coisas não se discutem.
Até Quinta Feira, na banca do cimo da rampa. A gente vê-se.

*Troll Urbano*

1 Comments:

Blogger Paula Raposo said...

Fiquei assim estática quando ouvi a notícia na estação de metro às 7h manhã. Dói.

quarta jan 04, 07:14:00 da tarde GMT  

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