sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Buraco Negro

Fotografia: Sónia Guerreiro – Silenciosamente só
Há sempre um resto
De noite no caminho,
Que se abate,
Em névoa, a cada nova madrugada.
Há sempre um resto de enfado
Forçoso que se imola, suicida,
No reparo da alvorada.
Há sempre detritos
De sonhos em cada página,
Que se varrem
Antes do parto, no nada.
Há sempre lixo, do antes, na via
Alegre do hoje sentido.
Há sempre restos de mim
Por toda a pátria
De sonhos não visitada.
E há sempre em mim um vazio,
Buraco negro agoirento
Do sonho que não foi vivido.

NimbyPolis

3 Comments:

Blogger Miho said...

Muito bonito.
Principalmente a parte final do poema.

Beijo

quinta abr 13, 06:10:00 da tarde GMT+1  
Blogger Nilson Barcelli said...

Obrigado pelo destaque.
Abraço e boa Páscoa.

sábado abr 15, 10:38:00 da manhã GMT+1  
Blogger LdS said...

Poema excelente. Foto também: de onde é ela? Linhas de Torres?

segunda mar 12, 12:25:00 da manhã GMT  

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